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Crianças e Mergulho


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94 replies to this topic

#1 PMedo

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Posted 26 December 2002 - 07:28 AM

Só para abrir...

Dê a sua opinião

É a favor do ensino de mergulho com escafndro a menores de 18 anos (altração da legislação)

É contra e porquê ?

Se fosse (ou se é instrutor) ensinaria menores de 18 anos a mergulhar.

Diga de sua justiça.
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#2 PMedo

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Posted 07 January 2003 - 02:47 AM

PORQUE NÃO ENSINO CRIANÇAS A MERGULHAR

Vou aqui expôr a MINHA OPINIÃO PESSOAL APENAS e não represento nem pretendo transmitir a opinião de qualquer agência de mergulho. As agências de mergulho com programas de ensino de crianças basearam-se em estudos e profissionais com reconhecida competência nos seus campos de trabalho. A minha opinião transmite uma visão pessoal apenas e de quem não tem na sua formação curricular nenhuma formação específica sobre a matéria. No entanto entendo que como instrutor a minha liberdade e soberana e independente da vontade de terceiros sejam agências ou clientes (alunos). É apenas nessa prespectiva que se situa a minha intervenção.


Vou aqui desenvolver pois a minha opinião que deixo a consideração de todos vós. Antes de começar peço-vos porém que se foquem no titulo "Porque não ensino crianças a mergulhar", decisão que tomei como instrutor de não ensinar ningém com menos de 18 anos a mergulhar. Eu decidi já em função do que vou abixo expor. cada um deverá tomar a sua decisão com base nos seus valores e ética pessoal.

1º Como todos sabemos  cada vez que mergulhamos, participamos VOLUNTÁRIAMENTE numa actividade que tem um risco acrescido (acrescentamos um risco potêncial ao normal curso da nossa vida).
Assim sendo, todas as actividades de mergulho deverão ser analisadas do ponto de vista RISCO/BENEFICIO. Isto é, que riscos (ferimentos, traumas, e possivelmente a morte) estão presentes em função do beneficio (divertimento, lucro, outros) ao praticar (ou ensinar) esta actividade. cada um de nós verá esta equação de forma diferente em função da sua personalidade, tipo genético, ligação (profissional ou amadora) etc. Mesmo se todos os factore forem iguais devido á diferente aceitação de tolerâncias e exposição (frequência) todos terão opiniões diferentes. Esta é apenas a minha opinião e funciona para mim. não é minha intenção impor o que quer que seja a ninguém, nem sugerir que outro façam como eu. Apenas vos pergunto o mesmo que pergunto aos meus alunos, e que é a de fazerem uma análise do beneficio/risco para todos os mergulhos que fazem com a certeza de que o benefício não é infinito pois o risco nunca é igual a zero.

Enfim, vamos ao que interessa. Em psicologia costumamos dizer que existe um universo de gente pequena (crianças) e ELES NÃO SÃO COMO NÓS. As crianças não agem, reagem, pensam e brincam como os adultos. A minha prespectiva é a de um instrutor que não está com medo de um acidente com crianças mas sim de um instrutor de mergulho com alguma experiência de situações difíceis, uma década de experiência de ensino e que apenas tem um forte gene do tipo "Proteja crianças". O conceito de criança madura, apta fisicamente é apenas uma predação económica (subentendam). O mergulho amador tem-se desenvolvido com base no anatema da negação do risco. O "a mim não me acontecerá". A história mostra que sempre que a necessidade de aumentar lucros passa a comandar o pensamento, os interesses dos participantes são esquecidos. Muitas vezes nos ultimos anos verifico que quando há necessidade de "vender" certificações, na folha de custos com os cursos estão riscados itens como, saúde, higiéne, segurança, qualidade de formação e em alguns casos mesmo os standards minimos internacionais. Muita da publicidade utilizada no mergulho recreativo pareçe ir no mesmo sentido daquela que diz " A nossa marca  de tabaco apela aos jovens com espirito de aventura". Ou seja mais e mais publicidade nega o risco inerente ao mergulho como a publicidade do tabaco nos anos 50 negava o risco de doenças do fumador. Acho estes paralelismos simultaneamente fascinantes e perturbadores. A longo prazo a negação dos riscos torna-se numa forma extremamente dispendiosa de fazer negócios.
Quais são pois as minhas preocupações neste tópico???

As mesmas que em todas as actvidades de ensino (não sou apenas formador na área do mergulho, também estou ligado á formação na aviação civil). Estas são apenas e tão só:
Quais os riscos legais e clinicos em que posso incorrer no desempenho da minha actividade profissional (seja instrutor de mergulho ou outra).
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#3 PMedo

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Posted 07 January 2003 - 02:48 AM

Vamos começar pelos aspectos legais (eh eh eh).
A minha experiência em aspectos legais é minima para não dizer inexistente. Não sou advogado nem conheço  o código civil. Porém sei que um dos principios que rege o direito é o de que "O desconhecimento da lei não abona nunca em defesa do réu".  Assim do meu ponto de vista simplicista os aspectos legais podem ser divididos em duas categorias gerais. Criminais e civis. Vamos primeiro abordar o civil.
Numa prespectiva histórica a negação do risco nunca foi uma defesa forte. especialmente quando pode ser demonstrado (prova) que os riscos eram conhecidos e foram "encapotados" ou suprimidos do conhecimento da vitima. Considero que a supressão dos riscos em conjunto com a continua diminuição dos standards e exigências uma forma de suicidio induzido, isto é homicidio involuntário ou cumplicidade em suicidio.
No nosso país iremos começar a assitir a processos contra instrutores e escolas de mergulho. É inevitável.(Para já a legislação protege-nos por ser tão má). No inicio os valores serão baixos, porém com o tempo irão aumentar á semelhança do que se passa nos EUA. Porém pensem nisto, qualquer valor exigido em indeminização por um adulto será trivial se comparado com o que vai ser exigido para uma criança e todos os factores emocionais de pressão envolventes a favor (lembrem-se do Aqua Park). Independentemente dos factos e formulários que tenham sido preenchidos (aceitação do risco, assinatura de pais ou encarregados de educação etc) o que o juiz vai ver (e os jornais), é uma familia privada de uma vida, uma familia com uma criança ausente e em luto. Vejo a idade de inicio de formação ser reduzida como se fosse uma bomba relógio a ser activada. Sendo que os vendedores das certificações fazem lucros, (entenda-se agências), significa que nós que molhamos o fato iremos pagar os "Custos do negócio". Por isso meus caros, a próxima vez que disserem mal dos advogados e juizes que podem condenar um instrutor ou escola, lembrem-se da ultima vez que "venderam" uma certificação  a alguém inapto para mergulhar com a pessoa que vos é mais querida.

O lado criminal das coisas:
Todas as areas da lei têm aspectos (artigos) que permanecem "adormecidos" longo tempo sobre situações específicas. Poderão passar décadas até que sejam descobertos por um advogado mais agressivo (estas situações raramente abonam a favor da defesa). Todos aqueles que ensinam mergulho deveriam ter um apoio legal - vêm uma das vantagens da APOM??, apoio legal para todos na defesa perante não membros-
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#4 PMedo

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Posted 07 January 2003 - 02:48 AM

O lado clinico das coisas:
Dividi esta abordagem em duas vertentes. Aspectos psicológicos e aspectos fisiológicos.
Antes de mais, "NENHUM ASPECTO FOI PROVADO" e se quserem podem acrescentar "SOBRE QUALQUER ASSUNTO" relacionado com o tópico "crianças e mergulho" COMO DEFINITIVAMENTE VERDADEIRO. Não existem estudos documentados que demonstrem ser o mergulho uma actividade que não provoca danos (fisiológicos e psicológicos) a crianças. E mais importante, NUNCA HAVERÁ. O género de estudos e trabalhos de tese que poderiam confirmar ou negar as preocupações deste tipo, com toda a certeza nunca serão efectuados porque esta pesquisa é dispendiosa, são estudos longitudinais (ao longo de décadas a seguir pacientes), e acima de tudo não aceites pela ética e legislação.  Nenhum comité médico ou governo aceitará a realização de estudos em crianças para confirmação de hipoteses sobre multiplas exposições a sobresaturação.

Aspectos psicológicos:
É fascinante  o estudo de aspectos psicológicos de popolações específicas (lembro-vos que estou a formar-me em psicologia). Alguns dos aspectos que quero estudar com o meu curso são aqueles relacionados com a actividade que mais gosto. O mergulho. Verifiquei com espanto em literatura psicológica que uma das consequências dos acidentes de descompressão é o desenvolvimento daquilo que nós os psics designamos pelo palavrão "Traços de personalidade negativa". Em palavras mais simples quer dizer depressão e disfunções comportamentais. Na maior parte dos casos estudados, isto revelou-se anedótico ou apenas significativo para os mergulhadores "profissionais" (comerciais). Apesar de alguns estudos validarem a hipótese do "bébado" as profundidades na origem destes casos, bem como as exposições (mergulhos de saturação), estão fora da maior parte dos limites dos mergulhadores recreativos. Além disso as mudanças de personalidade são subjectivas e dificilmente quantificáveis excepto em casos limite, especialmente se na ausência de algum incidente anterior á doença de descompressão que sirva de linha de comparação. Existe no entanto um estudo que relaciona este tipo de disfunção com o megulho recreativo. (não se assustem é apenas um). Os neurologistas quando abordados sobre este assunto dizem:
Nas imagens do exame de ressonancia magnética é dificil relacionar as "manchas" com áreas distintas de caracteristicas psicológicas ou fisiológicas.
No entanto, mudanças de personalidade SUGEREM independentemente da sua etiologia (causa de origem) efectivamente uma alteração na estrutura do cérebro.
Perguntei ao mais conceituado e conhecido neurologista português a seguir ao Exm Sr Prf Damásio:
Existe alguma base sólida para restringir os meus filhos de mergulharem? resposta - EXISTE PARA OS MEUS FILHOS.
A razão não é por aspectos clinicos históricos. mas simplesmente por
1- Consequências (desenvolvimento de personalidade negativa) condição séria
2- Não existe forma de saber (nem haverá nunca), quantos mergulhos a que profundidades, com que duração, com que misturas, para que tipo de personalidade, em que estadío de desenvolvimento são necessários para causar esta sindrome de alteração de personalidade pós Doença descompressiva, e se esta alteração resulta ou não de exposição a ambiente hiperbárico. Um farmacologista diria que a curva de resposta á dose é desconhecida.
A minha preocupação: os efeitos, se os há, do mergulho no desenvolvimento da personalidade são desconhecidos.

- continuação em breve- eh eh eh
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#5 PMedo

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Posted 24 January 2003 - 01:56 AM

Todos vocês que têm o "windows" do Bill Gates sabem o que é o ecrán azul vazio não ??
Resulta do facto de pormos o processador do pc num estado para o qual não tem instruções de operação...Um computador bloqueia e espera para ser reiniciado e correr de novo o programa para poder "pensar". Uma criança chora e grita pela mãe ou pai sempre que não consegue resolver um problema. Os pensadores "concretos" como se designam estes "sistemas" são incapazes de funcionar fora de parâmetros estreitamente definidos. Piaget diz que o pensamento concreto se manifesta na criança quando se lhe mostrarmos um objecto e depois o escondemos atrâs das costas, a criança vai procurá-lo. O objecto é concreto no pensamento. Estas crianças têm no entanto muito pouca tolerãncia a condições para além das suas instruções precisas e definidas. Não conseguem processar informação ou imaginar cenários fora do que já tenham experimentado.. São incapazes de formar uma hipótese e utilizando o pensamento lógico resolver o problema. Á capacidade de o fazer chama-se pensamento abstrato e só se torna numa ferramenta de trabalho útil próxima dos 10 anos. Frequentemente se vê uma criança falar sobre factos ou declamar sem perceber no entanto o significado exacto do que diz. Por exemplo; uma criança consegue fácilmente memorizar a lei de Boyle e recitá-la. esta mesma criança levada para um sistema de ensino de mergulho, irá ser ensinada que senmpre que sentir dores no ouvido deve fazer a manobra de valsalva. (sistema de ensino simplificado para crianças). Então o pensador concreto submerge na piscina (depois de apto por conseguir recitar a lei de Boyle) e diverte-se num excelente mergulho acompanhado por dois instrutores , quatro divemasters, os pais etc. Volta para a superfície e está eufórica. Maravilha. Os pais estão também contentes, agradecem ao instrutor e  vão para casa. No entanto já em casa, a criança começa a sentir dores de ouvido. Irá associar as dores ao que o "instrutor" lhe ensinou e volta a fazer a manobra de valsalva uma e outra vez. mas agora as dores já não passam como na piscina. O ouvido médio agora está deviddo aos continuados esforços de "compensação" completamente inflamado. Verifica-se que a criança na fase do pensamento concreto não é capaz de processar a informação de uma forma holistica sempre que padrões de definição são ultrapassados. A incapacidade das crianças equalizarem ou compensarem como queiram, o ouvido médio  quando viagam como passageiros é um problema significativo. Como resultado existem inúmeros estudos sobre estes casos.

-continua outro dia esou zzzzzzzzzzzz comzzzzzzzzzz
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#6 PMedo

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Posted 01 February 2003 - 01:52 AM

Continuando:

A minha preocupação: a combinação da anatomia das trompas de eustáquio nas crianças, associada a dificuldades de compensação (comprovadas por estudos- conforme referi anteriormente), incapacidade de compreensão abrangente do fenómeno da compensação em combinação com uma manobra de Valsalva forçada SUGEREM-ME que as crianças têm um maior risco (se comparadas com os adultos) de soferem barotraumas do ouvido médio.
Vou agora falar em problemas do PFO (Patent Foramen Oval) e mergulho, baseado nos últimos estudos medicos publicados sobre este assunto.
Só sobre este tópico podem escrever-se toneladas de páginas.
Por isso vou apenas comentar a MINHA OPINIÃO apoiando-me no estudo feito pelo senhor Germonpre e publicado no livro "Patent Foramen Oval  & Decompression Sickness in Sports Divers" sugerindo existir uma relação directa entre uma Valsalva forçada e as embolias cerebrais. Sugiro que os interessados em aprofundar este assunto leiam também os trabalhos de Krooss publicados na revista IMMERSED  (1º número de 2001) com o titulo sugestivo " Diving With a Broken Heart (paginas 32 a 38). Resumindo, para quem desconhece está o que é o PFO: quando estamos no ventre materno temos uma abertura no coração que permite que a circulação sanginea não siga para os pulmões (pois estão ainda inactivos). Ao nascer esta abertura (PFO) começa a fechar-se. Em cerca de 25 a 30% dos adultos (TALVEZ  mais em crianças), esta aberturanão fecha completamente (Patent significa "presente" e Foramen Oval significa "abertura de forma oval"). Tipicamente esta abertura não acarreta disfunções significativas para os portadores desta "deficiência" na sua vida do dia a dia. Mas pode ser um problema para quem faz mergulho porque quando sujeitos a um aumento da pressão toraxica (comum na manobra de Valsalva), esta deficiência pode permitir que bolhas (que se formam em todos os mergulhos- incluindo as provocadas por cavitação no coração) passem para a circulação arterial. Existem factos que provam ser esta condição algo com que os mergulhadores se devam preocupar. A teoria diz então que essas bolhas depois de passar para a circulação arterial podem alojar-se em áreas do SNC (Sistema Nervoso Central) e com o tempo levar a defices nas funções deste sistema.
A MINHA PREOCUPAÇÂO: A dificuldade em compensar, associada à correlação do PFO com embolias cerebrais SUGERE-ME que as crianças terão um maior risco de soferer de danos cerebrais que os adultos. Qual a dimensão desse maior risco? Também não sei. Nem creio que alguém o saiba. Mas seja qual for é demasiado para mim, como instrutor INDEPENDENTE assumir por filhos de amigos meus ou de alguma pessoa desconhecida. Suspeito apenas que um tribunal consiga determinar qual o grau deste risco. Acredito também que quem "atrubui" as certificações às crianças e o queixoso (vitima) terão opiniões bastante diferentes acerca da mágnitude desse risco e das indeminizações exigidas para compensação. Considero a possibilidade (não CERTEZA) de danos cerebrais por embolias gasosas a preocupação mais significativa no treino de crianças. Mas há mais. O facto de o oxigénio molecular ser um dos componentes numa das reacções quimicas que forma o tecido cognitivo. Um dos principios elementares da quimica (Lei de Le Chatelier) que todos aprendemos no secundário diz que um aumento na pressão parcial de um componente gasoso altera o resultado de uma reacção quimica...
A MINHA PREOCUPAÇÂO: A possibilidade de alterações no desenvolvimento dos tecidos osseos como resultado de exposições múltiplas a ambientes hiperbáricos é desconhecida.
As passegens aereas nas crianças são menores em comparação com as cavidades alveolares do que nos adultos.
A MINHA PREOCUPAÇÂO: As passagens aéreas mais estreitas nas crianças SUGERE-ME um maior risco de barotrauma. A magnitude deste aumento de risco? Se existe? Desconheço. Nunca nenhuma agência de mergulho ou qualquer médico publicou estudos sobre o assunto.
As crianças, e é um facto observável, devido à sua pouca massa muscular entram rápidamente em hipotermia. (mesmo assim mantêm-se na água até não poder mais).
A MINHA PREOCUPAÇÂO: A maior susceptibilidade à hipotermia requere uma muito maior (e pouco habitual) vigilância por parte do instrutor especialmente se também houver adultos (sentem o frio muito mais tarde). Encontrei um estudo também sobre a relação entre o cancro da pele e o cloro...conclui que a exposição ao cloro (piscinas) de crianças menores de 15 anos aumenta o risco de cancro da pele. Não pretendo que se mudem os métodos de limpeza de piscinas mas apenas demonstrar que num tribunal podem apresentar-nos coisas que nunca ouvimos ou pensamos que existissem...
Para terminar deixo uma citação que tirei da DAN

"I have covered too many father-child double fatalities to buy into decreasing the age of scuba diving"...
Jim Caruso, MD
US Navy DMO
DAN FATALITY CONSULTANT

Escolham sensatamente porque
o risco nunca é = a ZERO.
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#7 Armando Cottim

Armando Cottim

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Posted 18 March 2003 - 06:50 PM

Depois deste longo macro-post acho que ninguém mais ficou com vontade de responder. Hehe  ;)

Vamos lá ver, no entanto, se sou capaz de alguns comentários.

Em primeiro lugar a área em que me sinto mais à vontade: a legal.

Efectivamente, não estamos a lidar (em Portugal) com um tipo de direito igual ao que vemos na Televisão. Os juízes são formados (no Centro de Estudos Judiciários) para estudar e aplicar a lei, independentemente dos espectáculos mais ou menos sentimentais que se desenrolem no tribunal. Muito raramente temos casos suficientemente importantes para que sejam julgados com juri, apenas temos colectivos de juízes, que julgam a culpa e determinam a pena.

Assim, o facto de um dos pais se responsabilizar pela actividade da criança ... é suficiente para que o operador não tenha culpa.

Já, diz o PMedo, o desconhecimento da lei não pode ser razão para não cumprimento, e a nossa "famigerada" lei impede que as crianças mergulhem até maioridade. Por isso, o juiz poderia condenar qualquer operador que colocasse um menor "debaixo de água", pelo simples desrespeito pela lei, ainda que não tivesse ocorrido acidente algum.

Isto é, se a mamã autoriza mas o papá não, a criança vai para o mergulho, o papá apresenta queixa e o operador não tem desculpa para não cumprir a lei portuguesa.

Está errado? Talvez! Mas é assim.

Passemos ao aspecto médico/psicológico da questão.

Não é a mesma coisa falar de um recem-nascido, ou de uma criança de 6 anos, ou falar de um adolescente de 12 ou 13 anos. Tanto a nível mental como a nível físico, o adolescente de 12 ou 13 anos tem uma capacidade muito mais desenvolvida. Daí, os Bubblemakers e os Scuba Rangers, a colocarem crianças de 8 anos em ambientes confinados, estão a incorrer em perigos muito superiores aos que incorrem as agências que criaram certificações para adolescentes com 12 ou 13 anos. Aos 12 anos, creio que o adolescente está fisica e psicologicamente preparado para tomar certas decisões. Sobretudo nos EUA (de onde nos chegam todas as normas de todas as agências), onde os adolescentes dessas idades já reivindicam - e muitos conseguem - o direito de ter o seu espaço e viverem em apartamentos separados dos pais, limitar o mergulho a adolescentes dessas idades seria visto como uma atitude incorrecta. Cá, se a lei fosse alterada, não me parece que permitir a adolescentes o acesso ao mergulho fosse um erro. Trabalhei com essas idades durante vários anos (escuteiros) e tive a oportunidade de os ver desenvolver fisica e psicologicamente de forma muito interessante.

Já não estarei muito de acordo em colocar debaixo de água crianças com 9 e 10 anos, que são mais afectivas do que racionais e - em muitos  casos - apenas querem agradar aos adultos. Mas, mais uma vez, esta é uma opinião que tem que ver com as nossas crianças, não com as crianças do país em que estão sediadas as agências que criam as normas.

Finalmente, como formador, suponho que estou obrigado a seguir as normas da agência a que pertenço, mas será sempre com muitissimo cuidado que levarei uma criança a mergulhar.

Uma nota final, sobre o aspecto médico e psicológico do problema, para lembrar que agências como a PADI ou a SSI, para só mencionar as que conheço melhor, desenvolvem os seus cursos com recurso a especialistas nas áreas a que esses cursos respeitam. Assim, talvez o aspecto médico não deva ser um tão grande preocupação para nós, meros leigos na área. Já não creio que possamos deixar de parte a obrigatoriedade de aplicação da lei portuguesa ...

8)

#8 JPM

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Posted 18 March 2003 - 11:04 PM

Quanto a mim , e isto é apenas a minha opinião .
não deveria ser apenas a chegada há idade adulta que deveria determinar a possibilidade ou não de mergulhar , eu desde há muito que prego que talvez uma das soluções para os problemas que temos nas nossas estradas seria a obrigatoriedade da realização de testes psicotecnicos para quem desejasse tirar a carta , voltando ao mergulho penso que um atestado medico vulgar , não certifica qualquer candidato , como apto para iniciar um curso de mergulho com todos os riscos que a actividade envolve , quantos de nós não presenciamos já verdadeiros "azes" no fundo do mar .

Pmedo - na tua opinião de expert. achas que um mergulhador que sofra de claustrofobia ou que tenha apanhado algum susto em miudo de quase afogamento , numa situação de stress comporta-se de forma racional e tem lucidez para a 30 metros conseguir resolver uma situação de perigo ?

alguns de nós certamente já reparamos que miudos com idades diferentes , por vezes o mais novo aparenta uma maturidade emocional superior ao mais velho!

para mim um miudo 15-16 anos que queira mergulhar terá que ter sempre a autorização dos pais , mas estes tambem terão que ser suficientemente conscientes para perceberem se o filho já tem " estofo " para mergulhar , e não apenas aceder porque o filho pede para deixar , e se até o filho do visinho do 2º andar fez o  curso...

quanto aos problemas fisiologicos da sobrepressão em crianças , desconheço qualquer implicação , mas para mim mais vale prevenir que remediar .

concluindo , filho meu que aos 16 anos queira mergulhar , se eu achar que ela está "apto" , pode começar a iniciar-se , mas só mergulha comigo , com mais de uma pessoa , a poucos metros , e com acompanhamento de  instrutor.      



            cumprimentos a todos
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Sei fazer bolhas das grandes...
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Sei nadar...(acho)


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#9 Guest_Pedro Tomas_*

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Posted 22 October 2004 - 04:03 PM

Vamos lá "reanimar" este assunto que , talvez por ter sido pai mais uma vez recentemente duma linda filha (que espero, goste e venha a querer conhecer o mundo submerso) as preocupações com seguranças e bem estar passam para 1º plano.
Tenho outra filha, agora com quase 8 anos, que tambem por muito interesse dela já tem algumas experiencias de mergulho autonomo feitas sempre em aguas confinadas e acompanhada por mim e por instrutores.
Iniciou-se com 6-7 anos em algumas incursões de snorkel, sempre acompanhada por mim, e o interesse e vontade foi crescendo até que fez um baptismo de mergulho. Agora sempre que temos opurtunidade está sempre pronta.
Obviamente que quando um dia passarmos para aguas abertas iremos começar por muito pouca profundidade e com muito maior cuidado na sua segurança.
Claro que sei que infrinjo a lei quando o fizer, mas a melhor "recompensa" por isso é a felicidade , o sorriso e bem estar com que ela fica e transmite.
Outra das vantagens que tenho reparado é a consciencia e educação ambiental, que apesar de hoje em dia, nas escolas já é bastante debatida , noto que tem certos comportamentos e atitudes que o mergulho lhe ensinou.
As desvantagens que notei são a nivel de equipamento , porque nenhuma escola tem equipamentos com numeros tão pequenos e para se investir nesse equipamento, muito pouco tempo depois não serve...em tamanho.

#10 Rcosta

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Posted 22 October 2004 - 05:41 PM

Conheço pelo menos uma escola que tem material apropriado para os seus alunos mais jovens...

ver aqui

#11 Guest_Fernando Oliveira_*

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Posted 22 October 2004 - 10:03 PM

Tenho dois filhos com 7 e 13 anos e ando a ver se meto o bichinho do mergulho ao mais velho pois acho que tem um perfil apropriado: gosta de mar e é um cumpridor incondicional de normas e conselhos, mas por outro lado, já não é própriamente uma criança.

Acho que este é antes de mais um problema legal Português, pois tanto quanto sei, noutro países a idade para iniciar o mergulho é mais baixa. Aliás, tanto a PADI como a CMAS têm cursos próprios para os mais jovens.

#12 sodokan_mares

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Posted 23 October 2004 - 11:20 AM

A minha opinião está do lado que o mergulho poderá ser efectuado por menores de 18 anos, desde que cumpra todos os requesitos necessários e obrigatórios.
"Há três espécies de homens... Os vivos, os mortos e os que andam no mar." Platão, 427-347 ac

#13 BubbleMaker

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Posted 23 October 2004 - 12:45 PM

só para ver se estamos todos a falar do mesmo....

quais são eles?! os ditos "...requesitos necessários e obrigatórios." (tenho que por isto com aspas porque não foi eu que escrevi...)

cumprimentos
A efectividade de um argumento reside na sua verossimilhança perante uma dada plateia.

Verossimilhança: aparência de verdadeiro, mas não necessariamente verdadeiro...

#14 Guest_Pedro Tomas_*

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Posted 27 October 2004 - 02:08 PM

Os "requesitos necessarios e obrigatorios" para menores de 18 anos são iguais aos "requesitos necessarios e obrigatorios" para maiores de 18 anos ...
:D :D :D

#15 Guest_cadmonte_*

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Posted 20 October 2005 - 12:54 PM

olá tenho uma criança com tres anos e ele quando vai comigo (verão) fica fascinado mas como tudo acho que nao deveria ser permitido menores a mergulhar isto como todos saben daqui por uns anos os ossos a cabeça começa a dar sinais e por ai afora por isso mais vale resguarda-los um pouco disso e alem disso quando são novos querem e ir fundo e tar mto tempo lá debaixo [smiley=31.gif]

#16 Guest_Fernando Oliveira_*

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Posted 20 October 2005 - 02:25 PM

cadmonte,

Fiquei completamente baralhado com o teu post :wacko: "...todos saben daqui por uns anos os ossos a cabeça começa a dar sinais e por ai afora...".

O que é que todos sabem dos "ossos da cabeça" que eu não sei??? <_<

#17 superboc

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Posted 20 October 2005 - 04:09 PM

Ó F. O.

Até parece que não sabes!!! Então a tua progenitura não te dá cabo dos ossos da cabeça? A minha dá-me :D :D :D
É isso e a dar-me cabo da carteira

Palmira
Palmira Sá
Submersus

"Today I will finally see the sea again, which will smell of salt, wind, sand - and the cold of winter. Finally I will not only travel on it but dive in it, again I will become water, a bird - and I will remember the feeling of gliding above the abyss"
Elena Sundukova, tragically lost at sea, January 2007

#18 Guest_cadmonte_*

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Posted 20 October 2005 - 04:09 PM

desculpa la fernando e que eu tambem não soube exprimir- me o que eu quero dizer e aquilo que todos ja sabem o, frio, as pressoes sobre o corpo,os ouvidos,etc... daqui a uns anos a malta queixa-se, e muitos não se queixam por orgulho, então e melhor poupá-los, por serem novos, quando forem mais velhos então ai sim explorem as profundezas[SIZE=1][FONT=Arial] [smiley=31.gif] [smiley=31.gif]

#19 Culdagor!

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Posted 20 October 2005 - 04:14 PM

Acho que o mais cedo que se pode tirar um curso é aos 8 anitos.

Já mergulhei muitas vezes com miudos filhos de mergulhadores e é impressionante o á vontade e capacidade que demonstram.
O Sexo é como o Ar só é importante quando não se tem.

Que estranho chamarmos ao Planeta TERRA, quando é obviamente OCEANO

Visitem a minha pagina www.digisub.net

#20 Bruno Stuart

Bruno Stuart

    Glup, glup

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Posted 21 October 2005 - 05:32 PM

Culdagor,

e é o chamado bubblemaker... piscina.é um facto são fantásticos n é?
dá gosto vê-los.
ab
Bruno Stuart-Torrie

So much water and so little time...