Eu tenho um semi-rígido de 4,5 metros com motor Tohatsu de apenas 15 cavalos, sem consola.
Trata-se de um motor muito curto para a dimensão e peso da embarcação, mas tem-me levado a todo o lado onde tenho desejado ir passear ou mergulhar.
Também é verdade que saindo de Sesimbra/Setúbal, nunca fui além do Cabo Espichel/Zimbral!
O casco é de 1991, mas continua a parecer como novo.
Quanto ao motor Tohatsu, foi adquirido em 1993, em 2ª mão, para substituir um Evinrude de 10 cavalos que só me dava problemas e que havia comprado novo em 1990.
Por causa desse Evinrude, fiquei sempre de pé atrás em relação a essa marca, mas deve ser mania minha.
De qualquer forma e porque o Tohatsu portou-se e porta-se ainda hoje sempre à altura, é desta marca que posso falar.
As peças arranjam-se em separado. Não é necessário comprar grupos de peças completos. Não são baratas, porque hoje em dia nada é barato, mas também não são mais caras que as outras marcas nipónicas.
Considero um semi-rígido de 4,5 metros como perfeitamente adaptável ao mergulho e à caça, se bem que eu não seja adepto de caça.
Também considero que qualquer motor entre 30 e 40 cavalos é o adequado a esta dimensão de embarcação.
Pessoalmente, por vários motivos, como consumo, ruído, desgaste e poluição, prefiro motores a 4 tempos, mas o meu Tohatsu é a 2 tempos e tem servido na íntegra os meus propósitos. Vai ter de continuar a servir, mesmo que venha a comprar outro motor!
Nestes anos todos, as únicas peças que levou foram velas, hélice, fusíveis para o veio do hélice e 1 parafuso que suporta um sino-bloco de oscilação da coluna.
Consumos? Bom, um bidão com 15 a 20 litros de gasolina, mais óleo q.b. para 4 a 5% da mistura, dá para andar a "acelerar" o dia todo!
Carregado, o barco arrasta-se, mas com dois mergulhadores e respectivo equipamento de mergulho a bordo, vamos de Sesimbra à Ponta do Cabo Espichel, bem rapidinho...
Digamos que 1 depósito, nestas condições, dá para ir e vir ao Cabo Espichel duas vezes e ainda se fica com bastante gasolina para "curtir" o resto da tarde...
Considero que para caça-sub ou mergulho, qualquer casco acima de 4,5 metros de comprimento está bem.
Em relação a motores, quanto mais potentes melhor, dentro dos limites adequados ao casco e impostos pela carteira do comprador.
O casco deve ser o mais amplo possível e permitir a adequada arrumação de material de mergulho e/ou caça-sub.
Neste aspecto é necessário decidir se uma consola central e possíveis bancos no interior da embarcação serão adequados...?
A consola dá sempre jeito, pois permite melhor visibilidade durante a condução e manobras da embarcação, mas pode ocupar espaço desnecessário num espaço já de si reduzido. Afinal de contas, conduzir a embarcação directamente no motor, também nem é assim tão complicado ou "inestético" e liberta espaço.
Considerar a possibilidade de aquisição de um motor auxiliar de baixa cavalagem não é disparate e pode livrar-nos de potenciais apuros.
Sonda e GPS são também acessórios a considerar a bordo se pretendemos regressar aqueles locais "excelentes" ou "espreitar" o fundo, podendo investir-se em equipamentos portáteis e de "baixo" custo ou em instrumentos mais sofisticados e adequados a embarcações maiores ou com grandes consolas.
Meios de comunicação marítimos não são também de descurar, apesar de muita gente hoje recorrer ao telelé!
Já não falo noutros equipamentos de segurança que devem existir a bordo, por serem obrigatórios e fazerem parte da palamenta a considerar em qualquer embarcação.
Se existirem pretensões de navegação nocturna, não esquecer que quer a embarcação que o barqueiro, têm de satisfazer os requisitos para tal.
Há mais opções, mas pela versatilidade, segurança e leveza do conjunto, considero os semi-rígidos as embarcações mais interessantes para as actividades referidas neste fórum.
Em relação a marcas de semi-rígidos, tens embarcações nacionais com excelente qualidade, ao nível de qualquer produção estrangeira, que é provavelmente mais cara.
É necessário também tentar perceber que tipo de utilização vais dar ao barco:
Diária/Intensiva?
Intensiva mas sazonal?
Regular (por exemplo, 30 ou 40 fins de semana por ano)?
Reduzida?
A minha(pouca) experiência, diz-me que de uma forma geral utilizamos sempre o barco menos vezes do que aquelas que gostariamos.
Assim, pensa no número de dias que terias hipóteses de usar o barco por ano e depois divide por 2 ou mesmo 3!
Ficas logo a saber quantos dias estarás na água e se te compensa investimentos avultados...
Talvez a aquisição de uma embarcação usada seja uma hipótese a considerares.
Lembra-te que em utilizações intensivas, o desgaste e necessidade de manutenção é substancialmente maior, mas de uma forma geral, se conseguires que o "teu" barco/motor faça 100 horas de mar por ano, já és um tipo razoavelmente feliz! Quem me dera a mim!
Bom, o "meu" barco talvez faça as 100 horas/ano, mas o motor não vai lá nem de perto!
Finalmente, e descupem a extensão deste post, é preciso perceber que "é muito melhor andar nos barcos dos outros"! Ter barco é como ter piscina!
Quando tens barco, geralmente tens sempre amigos para te acompanharem a bordo, mas na hora de "chegar da festa", está tudo com vontade de ir para casa rapidamente...
Prepara-te para ficares "agarrado" às limpezas e arrumações sozinho.
Felizmente nem sempre é assim e há bons companheiros.
Podes até pensar no barco como uma forma de seleccionares os verdadeiros amigos!